segunda-feira, 2 de abril de 2012

SÃO PAULO/ AGRICULTURA DE BAIXO CARBONO/ EMBRAPA.

Embrapa mostra tecnologias que contribuem para agricultura de baixo carbono e agregação de valor na propriedade na AveSui em São Paulo

Sexta-feira, 30 de Março de 2012, 14:09:55Empresas, Pesquisa e Desenvolvimento, Feira AveSui
A Embrapa, empresa de pesquisa agropecuária vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, vai apresentar algumas das tecnologias desenvolvidas por duas de suas unidades, que incluem contribuições para a agricultura de baixo carbono e agregação de valor na propriedade, durante a AveSui. A Feira da Indústria Latino-Americana de Aves e Suínos acontece de 02 a 04 de abril no Expo Center Norte, Pavilhão Amarelo, em São Paulo (SP).
A Embrapa Suínos e Aves vai mostrar aos visitantes o Dimmer IEM-LUX, um controle eletrônico de iluminação em aviário, o biodigestor, o Sistrates (Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura), a Poedeira Colonial Embrapa 051 e o projeto do Condomínio de Agroenergia desenvolvido em parceria com a Itaipu Binacional.
O Dimmer IEM-LUX possibilita a compensação de luz levando em consideração o conforto das aves. Controlando a intensidade da iluminação, o produtor pode simular os períodos do dia e da noite, seguindo inclusive o programa de luz estabelecido para cada linhagem ou lote. O aparelho tem uma memória interna que permite rastrear e avaliar a programação de luz utilizada e ainda economiza energia, uma vez que compensa a luminosidade, garantindo apenas a luz necessária ao ambiente. O Dimmer IEM-LUX é uma parceria com um inventor independente, fabricado e comercializado pela Inobram Automações.
Outra tecnologia apresentada na Avesui, o Sistrates é um processo que permite obter alto nível de tratabilidade dos efluentes da suinocultura. Ele é baseado na separação física de sólidos, seguida de biodigestão anaeróbia, remoção biológica de nitrogênio por nitrificação e desnitrificação e precipitação química de fósforo. O Sistrates tem a possibilidade de ser aplicado de maneira modular e adicional, dependendo da necessidade de tratamento. Uma das vantagens deste sistema é que ele pode ser acoplado a um biodigestor (que também estará no estande da empresa), uma das tecnologias mais difundidas no Brasil na área de tratamento de dejetos.
Além do controle da poluição do ar, do solo e da água, o Sistrates tem a vantagem de produzir biogás para a geração de energia elétrica e calor e possibilitar o reuso da água na granja ou na piscicultura ou lançamento do efluente nos corpos d´água. Os beneficiários do sistema podem ser granjas de suínos com restrição de área ou em expansão, produtores, cooperativas e agroindústrias ou empreendimentos do setor de gás e energia que produzem biogás a partir da biomassa. O Sistrates pode ser usado em projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e aplicado a efluentes da indústria alimentícia, principalmente abatedouros e processadores de carne. A parceria do sistema é com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A Embrapa Suínos e Aves irá apresentar ainda uma importante cooperação com a Itaipu Binacional, que está proporcionando uma nova realidade a 33 famílias instaladas em Sanga do Ajuricaba, no interior de Marechal Cândido Rondon/PR. Elas estão descobrindo o potencial energético do biogás. Um gasoduto de 25,5 Km de extensão foi construído para ligar as propriedades até uma microcentral termelétrica. Os produtores, que estão estruturando uma cooperativa de agroenergia, já trabalham com a geração de energia elétrica e térmica, usada em um secador de grãos.
Já a Poedeira Colonial Embrapa 051 oferece uma produção bem superior às aves coloniais rústicas. A Embrapa 051 atinge de 280 a 300 ovos, enquanto uma galinha colonial comum produz cerca de 80 ovos a cada ciclo. Ela também é híbrida, com capacidade para produção de ovos pelas fêmeas e de carne pelos machos (abatidos com 120 dias). A poedeira se destina a criações semiconfinadas ou agroecológicas. A Embrapa 051 preserva todas as vantagens da avicultura comercial, como o controle sanitário e a garantia de qualidade do produto oferecido ao consumidor. A parceria é com a Gramado Avicultura, que atua na sua comercialização.
A Embrapa Florestas (Colombo/PR) apresentará as tecnologias das Florestas Energéticas e o manejo do componente florestal em sistema de ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). O projeto Florestas Energéticas, coordenado em parceria com a Esalq/USP, Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna/SP) e Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro/RJ), envolve mais de 70 instituições públicas e privadas para desenvolver, otimizar e viabilizar alternativas ao uso de fontes energéticas tradicionais não renováveis por meio da biomassa de plantações florestais de forma sustentável. As pesquisas vão trabalhar desde práticas silviculturais até a transformação da biomassa em energia.
Já a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta vem conquistando cada vez mais adeptos bem como apoio em políticas públicas, a exemplo do Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono). Como qualquer sistema, o ILPF requer que todos os componentes sejam bem manejados para que o potencial produtivo e econômico seja alcançado. Assim como a Lavoura e a Pecuária possuem práticas de manejo específicas, o componente florestal também demanda ações e práticas importantes para o desenvolvimento das árvores no sistema. Assim, é fundamental que sejam transferidas ao público interessado as práticas de manejo de árvores no ILPF. Dentre as principais etapas do manejo florestal estão a escolha da espécie e de mudas de qualidade, tratos culturais como a poda e desbaste, e o corte final. O sucesso do componente florestal no ILPF depende da boa condução dessas e das outras práticas. A madeira de qualidade pode ser utilizada de diversas maneiras, como lenha para energia, na fabricação de postes, mourões e construções em geral. Além disso, é possível agregar valor negociando a madeira com empresas do setor de base florestal, gerando maior rentabilidade no ILPF.
A Embrapa também vai estar representada no XI Seminário Internacional de Aves e Suínos e no I Seminário Internacional de Biomassa & Bioenergia que fazem parte da programação da AveSui.
Fonte: Assessoria de Imprensa Embrapa

quinta-feira, 29 de março de 2012

CRÉDITO SOBRANDO DIFICIL É PEGAR.

Sobra crédito para práticas rurais sustentáveis

Quinta-feira, 29 de Março de 2012, 08:14:15Economia, Meio Ambiente
Apesar do aumento de políticas públicas que incentivam a adoção de práticas mais sustentáveis no meio rural nos últimos anos no país, o desembolso das linhas de crédito disponíveis para essa finalidade ainda é tímido perto do total concedido pelo governo, segundo estudo do Instituto Socioambiental (ISA) que será divulgado hoje, em Brasília.
O estudo mostra que a maioria das linhas direcionadas à adoção de boas práticas agrícolas não deslancha pelo desconhecimento dos produtores em relação ao seu funcionamento e pelo risco que elas representam, segundo agentes financeiros. A falta de informação inclui, entre outros pontos, questões tecnológicas e de assistência para as atividades que os programas apoiam.
O Banco do Brasil, principal financiador de crédito rural de linhas de financiamento "florestais", registrou redução de montante e contratos assinados entre as safras 2009/10 e 2010/11. Segundo o estudo, o crédito disponível ao produtor passou de R$ 250 milhões para pouco menos de R$ 232 milhões, enquanto o número de contratos caiu de 3.376 para 2.670. Na Amazônia Legal não foi identificado nenhum contrato nas linhas agroambientais entre 2007/08 a novembro de 2010.
Na agricultura familiar, a situação é parecida. Mesmo com alta no volume de crédito desembolsado para as linhas agroambientais do Pronaf, de R$ 8,4 milhões em 2004/05 para R$ 26,1 milhões em 2009/10, sua fatia no volume total de investimento do programa passou de 0,14% para 0,22% de 2004/05 e 2009/10.
O estudo apresenta sete sugestões para a ampliação dos incentivos à regularização ambiental. As ideias vão desde a redução das taxas de juros e aumento das linhas de financiamento até a ampliação dos benefícios para os produtores que estão regularizados perante à legislação ambiental vigente. "A adoção de medidas isoladas na política de crédito tem poucas chances de sensibilizar o produtor", afirma a assessora de políticas públicas do Instituto Socioambiental (ISA), Léa Vaz Cardoso.
Para conhecer as razões pelas quais os produtores mantêm suas propriedades em desacordo com a legislação ambiental, a pesquisa entrevistou 87 trabalhadores rurais de Minas, Pará, Mato Grosso, São Paulo, Santa Catarina e Bahia. Quase metade dos entrevistados respondeu que as questões financeiras são determinantes. As futuras mudanças no Código Florestal, a falta de documentação da propriedade e a pouca atenção de agentes financeiros são outros motivos. E há, também, o desconhecimento por parte da maioria dos entrevistados.
Para os agentes financeiros pesquisados, a timidez no aumento dos financiamentos destinados à adequação ambiental decorre, em parte, dos riscos. "O crédito emprestado a um produtor que quer recuperar uma mata ciliar, por exemplo, é considerado de alto risco", explica Léa.
Fonte: Valor Econômico

segunda-feira, 26 de março de 2012

MANIFESTO EM DEFESA DAS FLORESTAS

Manifesto em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável


Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável (página na internet): 
Junho de 2011 - Publicado em: http://www.florestafazadiferenca.org.br/manifesto/

Por que tanta polêmica em torno da manutenção do que resta das nossas florestas? Será possível que ambientalistas, cientistas, religiosos, empresários, representantes de comunidades, movimentos sociais e tantos cidadãos e cidadãs manifestem sua indignação diante do texto do Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados, apenas por um suposto radicalismo ou desejo de conflito sem cabimento? Será justo afirmar que os defensores das florestas não levam em conta as pessoas e suas necessidades de produzir e consumir alimentos? Do que se trata, afinal? O que importa para todos os brasileiros?


Importa, em primeiro lugar, esclarecer a grande confusão sob a qual se criam tantas desinformações: não está se fazendo a defesa pura e simples das florestas. Elas são parte dos sonhos de um país com mais saúde, menos injustiça, no qual a qualidade de vida de todos seja um critério levado em conta. Um Brasil no qual os mais pobres não sejam relegados a lugares destruídos, perigosos e insalubres. No qual a natureza seja respeitada para que continue sendo a nossa principal fonte de vida e não a mensageira de nossas doenças e de catástrofes.

A Constituição Brasileira afirma com enorme clareza esses ideais, no seu artigo 225, quando estabelece que o meio ambiente saudável e equilibrado é um direito da coletividade e todos – Poder Público e sociedade – têm o dever de defendê-lo para seu próprio usufruto e para as futuras gerações Esse é o princípio fundamental sob ataque agora no Congresso Nacional, com a aprovação do projeto de lei que altera o Código Florestal. 23 anos após a vigência de nossa Constituição quer-se abrir mão de suas conquistas e provocar enorme retrocesso.

Há décadas se fala que o destino do Brasil é ser potência mundial. E muitos ainda não perceberam que o grande trunfo do Brasil para chegar a ser potência é a sua condição ambiental diferenciada, nesses tempos em que o aquecimento global leva a previsões sombrias e em que o acesso à água transforma-se numa necessidade mais estratégica do que a posse de petróleo.

Água depende de florestas. Temos o direito de destruí-las ainda mais? A qualidade do solo, para produzir alimentos, depende das florestas. Elas também são fundamentais para o equilíbrio climático, objetivo de todas as nações do planeta. Sua retirada irresponsável está ainda no centro das causas de desastres ocorridos em áreas de risco, que tantas mortes têm causado, no Brasil e no mundo.

Tudo o que aqui foi dito pode ser resumido numa frase: vamos usar, sim, nossos recursos naturais, mas de maneira sustentável. Ou seja, com o conhecimento, os cuidados e as técnicas que evitam sua destruição pura e simples. É mais do que hora de o País atualizar sua visão de desenvolvimento para incorporar essa atitude e essa visão sustentável em todas as suas dimensões.

Tal como a Constituição reconhece a manutenção das florestas como parte do projeto nacional de desenvolvimento, cabe ao poder público e nós, cidadãos brasileiros, garantir que isso aconteça. Devemos aproveitar a discussão do Código Florestal para avançar na construção do desenvolvimento sustentável. Para isso, é de extrema importância que o Senado e o governo federal ouçam a sociedade brasileira e jamais esqueçam que seus mandatos contêm, na origem, compromisso democrático inalienável de respeitar e dialogar com a sociedade para construir nossos caminhos.

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, criado pelas instituições abaixo assinadas, convoca a sociedade brasileira a se unir a esse desafio, contribuindo para a promoção do debate e a apresentação de propostas, de modo que o Senado tenha a seu alcance elementos para aprovar uma lei à altura do Brasil.

Caso sua instituição queira aderir ao Manifesto, entre em contato no e-mail comiteflorestas@gmail.com

quinta-feira, 22 de março de 2012

DIA MUNDIAL DA ÁGUA...

Dia Mundial da Água - Informação e ação

Quinta-feira, 22 de Março de 2012, 08:11:19Geral
O Dia Mundial da Água – comemorado no dia 22 de março - já faz parte do calendário de órgãos públicos, concessionárias de água e esgoto e empresas. No entanto, ainda há muito a ser feito nesta área, para que progressos expressivos sejam registrados, em âmbito nacional e mundial. Diversas ações em favor do melhor uso da água têm sido colocadas em prática, mas insuficientes para garantir o abastecimento da população nos próximos anos e gerações.

Neste mês, será realizado, na França, o Fórum Mundial da Água, com o tema “Tempo para Soluções”. O evento acontece a cada três anos e visa fomentar a troca de informações e experiências entre instituições de vários países e possibilitar a formação de parcerias. O Brasil terá uma participação mais expressiva nesta edição, com 250 pessoas representando 50 instituições ligadas à temática da água.

Em 2012, também, será realizada, na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - Rio+20, que promoverá um balanço das evoluções registradas no mundo em relação ao meio ambiente, nas últimas duas décadas, a partir da Rio 92. O grande mérito deste evento é trazer à tona temas fundamentais para a sobrevivência presente e futura do planeta, e ampliar as discussões sobre a adoção de políticas consistentes em favor da água e dos demais recursos naturais.

No entanto, não é necessário aguardar ações governamentais voltadas à economia e racionalização do consumo dos recursos hídricos. A conscientização deve ser de todos e partir de quem realmente detém informações. E iniciativas individuais e empresariais são o ponto central para a conscientização das pessoas quanto à necessidade de economia de água.

São inúmeras as empresas que desenvolvem projetos sustentáveis, tanto no que se refere a processos fabris, como a produtos, o que tem demonstrado que cuidar do meio ambiente traz vantagens em diversos aspectos.

É errônea a idéia de que desenvolvimento, tecnologia, conforto correspondem, diretamente, ao aumento do consumo de água. Ao contrário, a evolução tecnológica permite o desenvolvimento de produtos que não apenas facilitam o dia a dia das pessoas, como oferecem eficiência em sua aplicação, com reduzido consumo de água, a exemplo das lavadoras de alta pressão, que atendem às necessidades residenciais, comerciais, industriais, agrícolas e outras.

Esses benefícios – presentes também em outros segmentos de produtos - aliam-se a atitudes individuais que, aos poucos, tornam-se parte da rotina das pessoas. Nos diferentes âmbitos, nas ações mais simples e nas mais complexas, é fundamental o engajamento no mesmo objetivo: a preservação do meio ambiente, em favor da manutenção da vida humana.

Por Antonio Luis Francisco é Diretor da JactoClean, empresa do Grupo Jacto, referência nacional em equipamentos para serviços de limpeza.
Fonte: Assessoria de Imprensa JactoClean

segunda-feira, 19 de março de 2012

RIO TERÁ VUNERABILIDADE DOS MUNICIPIOS

Notícias
Estado lança estudo sobre vulnerabilidades dos municípios
23/3/2011 - 15h37
Por Ascom da Secretaria do Ambiente
O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, apresenta nesta quinta-feira (24/03) o Índice de Vulnerabilidade Geral – um indicador composto de vulnerabilidades sociais, ambientais e de saúde que leva em conta os cenários de variação do clima nos municípios fluminenses. O projeto será apresentado no seminário Vulnerabilidade dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro frente às Mudanças Climáticas.
Desenvolvido pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), em parceria com a Fiocruz, o Índice de Vulnerabilidade Geral mede o grau de fragilidade dos municípios fluminenses frente às mudanças climáticas, levando em consideração a vulnerabilidade da orla, dos recursos hídricos, das florestas, da sociedade e da saúde.
A partir dos cenários, que serão apresentados para cada um dos municípios do estado, a Secretaria do Ambiente poderá propor a implantação de políticas públicas para a adaptação social e de enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas.
O Índice de Vulnerabilidade Geral foi desenvolvido com base em metodologia semelhante empregada em outros países do renomado pesquisador da Fiocruz Ulisses Canfalonieri, representante brasileiro do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) no setor social e de saúde.
Também participam da mesa de abertura do seminário a presidente do Instituto Estadual do Ambiente, Marilene Ramos, o vice-presidente do Ambiente da Fiocruz, Valcler Rangel Fernandes, a diretora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz, Tania Araujo Jorge, e o diretor da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, Antonio Ivo.
Serviço:
Quando: 5ª feira (24/03/2011); às 13h30
Onde: Auditório da SEA (Av. Venezuela, 110, 6º andar, Saúde)

MEIO AMBIENTE DO RIO DE JANEIRO MULTA CONDOMINIO.

Notícias
Ambiente multa condomínios por despejo de esgoto sem tratamento
24/3/2011 - 16h43
Por Ascom da Secretaria do Ambiente
O bairro do Recreio dos Bandeirantes foi hoje (24/03) alvo da operação de guerra que a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) deflagrou para reprimir condomínios da Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá que estão despejando esgoto sem tratamento no complexo lagunar da região.
Na operação de hoje, comandada pessoalmente pelo secretário Carlos Minc, três condomínios foram multados em R$ 150 mil, cada um, por não terem se conectado à rede da Cedae e, assim, poluírem a Lagoa do Marapendi. Além disso, os síndicos serão responsabilizados criminalmente por poluição de corpos hídricos, o que configura crime ambiental.
Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, os condomínios foram notificados para fazerem a conexão de sua rede com a da Cedae em um prazo de sete dias.
- Se não o fizerem, receberão nova multa, no valor de R$ 8 mil, por descumprimento de notificação. As ações na região vão continuar por tempo indeterminado. Vamos dar uma dura ecológica até todo mundo entrar na linha - avisou.
Promovida pela Cicca (Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais), da SEA, a blitz ambiental teve apoio da Cedae, do Batalhão Florestal da PM, da DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente) e do Inea (Instituto Estadual do Ambiente).
O primeiro condomínio a ser vistoriado pelos agentes ambientais foi o Prestige Residence Service, na Av. Lúcio Costa, 15.700, com 41 apartamentos e cerca de 200 moradores. Além de não terem se conectado à rede da Cedae, a equipe flagrou o despejo de esgoto na galeria de água pluvial que vai parar no Canal das Taxas – e que, por sua vez, deságua na Lagoa do Marapendi.
- O condomínio foi notificado, em abril de 2010, para fazer a conexão com a Cedae. Passou-se um ano e nada foi feito. Agora será punido com multa de R$ 50 mil, pela não conexão, e outra de R$ 100 mil por poluição da lagoa. É inaceitável que condomínios da região continuem sujando as nossas lagoas porque não se conectaram à Cedae, cuja rede passa a três metros deles - disse o secretário.
Em seguida, a equipe vistoriou o prédio de nº 16.310, também situado na Av. Lúcio Costa, com seis apartamentos e cerca de 30 moradores. O condomínio também foi multado em R$ 150 mil: R$ 50 mil pela não conexão com a Cedae e R$ 100 mil por poluição de corpos hídricos. Segundo o delegado da DPMA, Fábio Pacífico, a pena para este tipo de delito – poluição de corpos hídricos (artigo 54 da Lei de Crime Ambiental nº 9.605/98) – é de um a quatro anos de reclusão.
O condomínio Squadra, na Rua Professora Sousa Leão, 195, também foi multado em R$ 150 mil. Apesar de terem se conectado à rede da Cedae, a equipe flagrou uma ligação clandestina com a galeria de água pluvial. Resultado: esgoto sem tratamento despejado no Canal das Taxas.
- Não adianta: multa de R$ 150 mil. E deveria levar mais uma: por burrice. Fizeram a conexão, mas há uma ligação clandestina. Não tem perdão - disse Minc.
Colaboração de moradores
O chefe da Cicca, José Maurício Padrone, pede que os moradores da Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá colaborem, exigindo dos síndicos a conexão de seus condomínios com a rede da Cedae.
- Verificar todas as redes é um processo extremamente trabalhoso. Daí a importância da participação da população, exigindo a legalização junto à Cedae. A operação prossegue por tempo indeterminado - completou Padrone.
O chefe do Departamento de Manutenção de Rede de Esgoto da Cedae na Barra da Tijuca, Egberto Andrade, reiterou que cerca de 150 condomínios situados na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes já foram notificados, mas ainda não se conectaram à rede da companhia.
Segundo levantamento da companhia, cerca de 80% dos condomínios da Barra já contam com rede de esgoto da Cedae em sua porta. No Recreio, 65% já têm rede para se conectar. Mas em Jacarepaguá, apenas 15% dos condomínios contam com rede da Cedae já construída.
- Entre o Jardim Oceânico, Tijuca Mar e Barrinha, há aproximadamente 2.000 imóveis, e em cerca de 80 deles não foi possível fazer vistoria porque os proprietários não permitiram a nossa entrada nos imóveis para identificar a rede de esgoto e fazer a devida conexão. Desde que a operação foi deflagrada, a quantidade de pessoas que nos procuraram para legalizar a situação praticamente triplicou. Quem quiser denunciar ou legalizar sua situação, a Cedae dispõe o telefone 0800 2821195, que funciona 24 horas - afirmou Egberto Andrade.
Na última segunda-feira, os agentes multaram um condomínio em R$ 50 mil e coletaram, para análise, o esgoto despejado na Lagoa da Tijuca por outro condomínio. O primeiro condomínio visitado pela blitz ambiental foi o Aldeia do Mar, na Av. Lúcio Costa, próximo à orla da Barra, que acabou multado em R$ 50 mil por não ter conectado sua rede de esgoto à da Cedae, para posterior tratamento e lançamento em alto mar através do emissário submarino da região.
Outro condomínio vistoriado na segunda-feira foi o complexo Rio 2, também na Barra da Tijuca, com 18 blocos, 3.600 imóveis e cerca de 13 mil moradores. Os técnicos constataram que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) estava funcionando, mas de forma precária.
Na quinta-feira anterior (17/03), técnicos do Inea estiveram no local para coletar amostras de água para análise.
- No momento da nossa visita, constatamos que a ETE não estava funcionando e o esgoto estava sendo lançado, sem tratamento, na Lagoa da Tijuca - completou Padrone.

domingo, 18 de março de 2012

COMO FICARÁ A NOSSA REPRESENTAÇÃO NA RIO+20. UHMMM.

Rio só reaproveita 3% das 8,4 mil toneladas de lixo geradas por dia

Comlurb separa apenas 0,27% desse total. O resto fica a cargo de catadores

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Aterro Jardim Gramacho, considerado o maior aterro da america latina.
Foto: Pedro Kirilos / O Globo
Aterro Jardim Gramacho, considerado o maior aterro da america latina.PEDRO KIRILOS / O GLOBO
RIO - Cidade que vai sediar a Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, em junho, recicla apenas 3% de seu lixo (252 toneladas das 8.403 geradas diariamente). A Comlurb tem participação mínima nesse percentual já diminuto: só separa 22,68 toneladas, ou 0,27%. Os outros 2,73% ficam a cargo de catadores autônomos ou de cooperativas. Com isso, o Rio — que há 20 anos foi anfitrião do maior encontro sobre meio ambiente da História — joga fora uma oportunidade de se equiparar a metrópoles como Berlim (Alemanha) e Tóquio (Japão), famosas por não desperdiçarem seus recursos naturais. Capitais europeias recuperam, em média, 40% de seus resíduos. Na série de reportagens “Desleixo insustentável”, que se inicia neste domingo, O GLOBO mostra por que os cariocas ainda não têm seu lixo reciclado.
Os motivos são muitos, a começar pela incipiente coleta seletiva. Desde a sua implantação, em 2002, o serviço não deslancha. Poucos cariocas têm o privilégio de receber um caminhão de reciclagem da Comlurb em suas portas. Dos 160 bairros da cidade, apenas 41 são atendidos semanalmente, e, mesmo assim, de forma parcial — por falta de investimentos, a coleta só ocorre em algumas ruas. Hoje, ela apresenta um desequilíbrio entre as áreas do Rio. Está mais presente nas zonas Sul (40%) e Oeste (42%) e bem menos na Norte (18%). Segundo a Comlurb, não existe coleta seletiva em favelas, o que exclui da conta um contingente de cerca de um milhão de pessoas.
— A Comlurb nunca promoveu uma campanha para que a população faça a separação de seu lixo — diz Sérgio Besserman, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável do município.
Parceria de R$ 50 milhões
A maior esperança da prefeitura, por enquanto, está relacionada a um projeto que parece incapaz de resolver o problema. Assinado no ano passado, um acordo entre o município e o BNDES prevê a aplicação de R$ 50 milhões para a construção de seis galpões de triagem de materiais recicláveis. Em contrapartida, a prefeitura promete colocar mais 15 caminhões em circulação, expandindo o serviço dos atuais 41 para 120 bairros. Todos esses esforços, se bem-sucedidos, devem ampliar a coleta seletiva em apenas 2%, elevando para 5% o percentual de reciclagem na capital.
Para a presidente da Comlurb, Angela Fonti, a prefeitura precisa atacar as causas que levam aos baixos índices de reciclagem. Ela dá razão a Besserman, admitindo que a Comlurb nunca fez uma campanha de incentivo à coleta seletiva de lixo.
— A primeira causa é a própria falta de uma campanha maciça em prol da reciclagem, algo que faremos com recursos do BNDES. A nossa coleta precisa ser bem mais abrangente também. A maioria das pessoas quer reciclar seu lixo, mas nossos caminhões não passam em boa parte das ruas. E precisamos tornar o mercado legal. Às vezes, moradores de um prédio separam seu lixo e, quando o nosso caminhão passa para pegá-lo, o lixo reciclável já foi roubado. Os atravessadores ilegais precisam ser eliminados — diz Angela. — E há uma corresponsabilidade nessa história. As empresas, por exemplo, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, precisam se engajar nesse processo.
Envolvimento este que, na avaliação de Angela Fonti, pode ser reforçado por medidas mais simples:
— Nosso cronograma inclui pegar o lixo orgânico e reciclável dentro das casas e dos prédios. Os galpões vão melhorar as condições de trabalho e dar um fim aos atravessadores, que diminuem o ganho dos catadores.
Hoje, o reaproveitamento do lixo acaba dependendo fundamentalmente da figura do catador. Muitos trabalham em condições precárias, inclusive na Comlurb — repórteres do GLOBO flagraram trabalhadores sem luvas dentro da usina do Caju.
Situações como essa levaram o governo federal a cobrar uma ação concreta dos municípios, exigindo que apresentem, até agosto, uma proposta de adequação à lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em agosto de 2010. A cidade que não se enquadrar deixará de receber investimentos da União.
— À semelhança de São Paulo e Brasília, o Rio precisa dar uma resposta à questão da reciclagem, porque ela terá um grande poder multiplicador no país. No caso do Rio, essa necessidade aumenta por causa dos grandes eventos que vêm por aí: a Rio+20, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A prefeitura tem até agosto para estabelecer metas concretas de reciclagem — afirma Nabil Bonduki, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.
O prefeito Eduardo Paes concorda que o Rio tem de dar o exemplo, mas admite que o caminho é longo:
— Tivemos que sair do abaixo de zero na questão dos resíduos. Antes, tínhamos um aterro (de Gramacho) que poluía a Baía de Guanabara. Inauguramos o de Seropédica e implementamos outras ações importantes, como o decreto que exige reaproveitamento dos resíduos de todas as obras. Só agora poderemos começar a cobrar uma postura mais participativa dos cidadãos.
O envolvimento da população europeia com o tema inspirou a nova legislação nacional de resíduos. A lei determina que os municípios brasileiros joguem em aterros somente o lixo orgânico, ou seja, não reciclável. A meta deve ser atingida até 2014. O engenheiro químico José Carlos Pinto, professor da Coppe/UFRJ, diz que a lei 12.305 traz avanços em termos de conscientização. Mas defende que é preciso ir além:
— O Rio, por exemplo, é um dos grandes produtores de plástico do país. Mas as empresas daqui, ao contrário do que ocorre na Europa, não se responsabilizam pelo destino final desse material.
Para ele, sem um compromisso das empresas, é impossível fazer uma reciclagem à altura dos atuais desafios de sustentabilidade.
— Hoje, esse mercado existe por iniciativas individuais, em que o serviço do catador é feito longe das condições ideais. Mercado cuja base é sustentada por uma relação de trabalho ligada à exploração — diz José Carlos. — Em países como Japão, Canadá e Alemanha, existe a figura do catador, mas a logística da coleta é tão melhor, que o catador, com boas condições de trabalho, tem um peso muito menor na cadeia. Sem as grandes empresas envolvidas nesse processo, não há como implementar um sistema eficiente.
‘O caminhão desapareceu’
A falta de eficiência, na avaliação do chefe da Diretoria Técnica e Industrial da Comlurb, José Henrique Penido, é explicada pela ausência de investimentos maciços dos três níveis de governo.
— Em 1994, chegamos a ter 20 cooperativas de catadores nos bairros. Não restou nenhuma. Reciclagem só dá algum dinheiro para catador de rua. E ferro-velho só sobrevive porque tem gato de água e de luz. O preço do produto reciclado acaba saindo mais caro do que a matéria prima virgem. Sem pesados subsídios do governo, o sistema não vai funcionar — afirma Penido. — Não há mágica. A Alemanha gasta cinco bilhões de euros por ano para implementar um sistema eficiente. O povo alemão está muito satisfeito. E quanto ao Brasil? O país está disposto a investir?
A advogada Leonor Amaral não percebe esta disposição por parte do poder público. Ela lembra que a Comlurb chegou a fazer um “excelente serviço” de coleta seletiva em sua rua, na Praça Seca, em Jacarepaguá:
— Há quatro anos, o caminhão chegava à nossa rua, e os vizinhos, ao verem esse serviço, também se animaram. Começou a faltar e passou a vir só de vez em quando, até desaparecer por completo em dezembro do ano passado. Liguei para a Comlurb, e me informaram que estavam à espera de recursos para reimplantar o serviço em algumas ruas e expandi-lo. Mas o próprio funcionário da ouvidoria me disse que a coleta seletiva é o patinho feio.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/rio-so-reaproveita-3-das-84-mil-toneladas-de-lixo-geradas-por-dia-4340754#ixzz1pUKWt2if 
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